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NOVOS TEMPOS!??!
02-02-2003
No século passado, no final do período da ditadura e início da Nov(elha) República, o genial Stanislau Ponte Preta dizia que vivíamos no “festival de besteira que assolou o país!” E era um tremendo besteirol mesmo, principalmente por causa da censura e do ufanismo oficialista.
Ainda estávamos naquela de dizer que tudo no Brasil era
“o maior do mundo”...
Saímos daquele patriotismo castrense para o baixo astral, à falta de auto estima e até do pessimismo generalizado, a partir da hiperinflação dos governos do Sarney e do Collor. Tempos difíceis aqueles!
Durante a última campanha eleitoral, o Lula deu para elogiar o “desenvolvimentismo” do período militar, ele que foi um dos perseguidos pelo regime! Virou um saudosista dos tempos em que o nosso PIB “crescia” a mais de 10% ao ano, estava na moda o nacionalismo, ainda que autoritário...
Como se sabe, Lula ganhou a eleição no segundo turno enquanto o PT perdeu em todos os estados, exceto em Mato Grosso do Sul e ainda assim com dificuldade, mas o PT achava que a vitória foi do partido... Lula é maior do que o PT, mas o que vale, agora, é o poder.
No primeiro mês de governo, o que se vê é improvisação e demagogia, apesar da boa-vontade (ou voluntarismo) e da “vontade política”...
Nos dois ministérios com os quais eu mantenho mais contatos — no MCT e no MINC — o clima é caótico, caricato.
O Amaral e o Gilberto Gil são folclóricos, discursivos, destemperados, falam muito, criam factóides e desassossegos — Amaral chegou a defender a bomba atômicas brasileira! — e nem têm planos de ação.
Dizem que os ministérios da área econômica vão bem, só que mantêm a mesma política monetária do governo FHC...
O Palocci, da Fazenda, lembra o Malan só que com sotaque caipira e o Meireles, do Banco Central, que veio do PSDB, é uma versão menos discreta do Armínio Fraga.
Lógico que em um mês nenhum novo governo é capaz de dizer a que veio. Só que o Lula garantia que os seus primeiros atos de governo seriam de mudanças profundas... E o que se vê é continuísmo, para alegria do sistema bancário e dos investidores.
Vamos deixar que os 100 primeiros dias transcorram. Mas pelo andar da carruagem...
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